Às vezes, eu sonhava com lampejos aleatórios e cores borradas que me lembravam você. Sonhava que o tinha aqui e que podia senti-lo todo meu. Eu gostava tanto do perfume que os seus cabelos exalavam, mesmo que eu nunca o tivesse sentido de verdade. E mesmo que teu rosto fosse só um borrão, gostava tanto de ficar olhando pra ele. Lembro de ter lhe dito, em um dos sonhos, o quanto sua voz fazia bem aos meus ouvidos e o quanto eu a amava. Hoje vejo que eu nunca soube o quanto, que não poderia medir. E que a única coisa que eu deveria ter lhe dito, é que era a coisa que eu mais gostava nesse mundo. Depois do seu sorriso, claro. Mesmo que eu só o visse em sonhos e na maior parte do tempo fosse também só um borrão. Lembro que quando seus braços envolviam o meu pescoço ou até mesmo só quando sua mão tocava a minha, a sensação era de estar exatamente onde eu queria estar. Eu parecia completar você, e isso me completava.
Tinha tanto medo de acordar. Tentava dizer pra mim que não era um sonho. Foi?
Tua incapacidade de silenciar quando é necessário me enoja. Eu nunca ousei criticá-lo porque nunca me vi no direito de interferir na existência de ninguém. E não me vejo agora. Te pergunto: como pôde cuspir nos meus erros para que parem de gritar os teus? Quem te deu o poder de querer tocar na minha vida com tuas mãos imundas? Acha mesmo que eu acredito quando você diz que é pro meu bem? Você não se importou antes e não se importa agora. E sinceramente, as asneiras que andam escapando da tua boca são só prova de que você nunca vai se importar.
Queria te ver chegar bem perto de mim e falar todas essas coisas me olhando nos olhos. É por ser tão mesquinho e egoísta que a vida anda te castigando desse jeito. Sabe, o meu mundo tá repleto de coisas bonitas. Ao contrário do império de mentiras que você construiu, a minha existência é feita de verdades. Isso me basta. Sabe por quê? Eu tenho tudo o que preciso. Me sinto completa, feliz. E duvido que você saiba como é se sentir assim.
(Escutando: Franz Ferdinand - Dream Again)
quinta-feira, 8 de abril de 2010
"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."