Às vezes, eu sonhava com lampejos aleatórios e cores borradas que me lembravam você. Sonhava que o tinha aqui e que podia senti-lo todo meu. Eu gostava tanto do perfume que os seus cabelos exalavam, mesmo que eu nunca o tivesse sentido de verdade. E mesmo que teu rosto fosse só um borrão, gostava tanto de ficar olhando pra ele. Lembro de ter lhe dito, em um dos sonhos, o quanto sua voz fazia bem aos meus ouvidos e o quanto eu a amava. Hoje vejo que eu nunca soube o quanto, que não poderia medir. E que a única coisa que eu deveria ter lhe dito, é que era a coisa que eu mais gostava nesse mundo. Depois do seu sorriso, claro. Mesmo que eu só o visse em sonhos e na maior parte do tempo fosse também só um borrão. Lembro que quando seus braços envolviam o meu pescoço ou até mesmo só quando sua mão tocava a minha, a sensação era de estar exatamente onde eu queria estar. Eu parecia completar você, e isso me completava.
Tinha tanto medo de acordar. Tentava dizer pra mim que não era um sonho. Foi?
(Escutando: Fingi Na Hora Rir - Los Hermanos)
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